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VP da Sou Segura comenta a gestão de riscos no setor portuário

A vice-presidente da Sou Segura, Simone Ramos, concedeu entrevista à CNN Brasil sobre a gestão de riscos no setor portuário brasileiro, diante da aproximação dos principais terminais e seus limites operacionais.

Segundo a executiva, em contextos de alta utilização da capacidade, a gestão de riscos deixa de ser uma etapa acessória e passa a integrar a estratégia do negócio. “As operações portuárias estão expostas a riscos seguráveis e não seguráveis, que incluem interrupção de negócios, segurança operacional, aspectos ambientais e conformidade regulatória”, pontuou.

Ela acrescentou que projetos de expansão executados em paralelo à operação merecem atenção particular, pois sobrepõem os riscos da obra aos da atividade em curso.

Nesses casos, o mapeamento estruturado das exposições e a definição das coberturas adequadas contribuem diretamente para a continuidade operacional e para a qualidade da tomada de decisão.

Para Simone Ramos, a expansão da infraestrutura é um processo de longo prazo. Nesse contexto, incorporar a gestão de riscos desde as fases iniciais contribui para que esse processo avance com previsibilidade e segurança.

Veja o texto da entrevista, abaixo:

O setor portuário está alertando para possíveis riscos à cadeia logística com os portos brasileiros operando cada vez mais próximos do limite.

Segundo um levantamento realizado pela consultoria Macroinfra, especializada em transporte e logística, os terminais poderão atingir o limite de capacidade de movimentação de contêineres até o ano de 2030.

O estudo compilou dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), considerando os anos de 2015 a 2025, o estudo mostrou um quadro de saturação operacional em quatro importantes terminais portuários do país, sendo Santos (SP), Paranaguá (PR), Itajaí/Navegantes (SC) e Itapoá (SC).

Com o cenário saturado, ocorre a migração dos fluxos de contêineres para outros portos e terminais menos ocupados.

Nesse cenário, é previsto o esgotamento da capacidade portuária de movimentação de contêineres no Brasil para os próximos 4 anos, caso os projetos de expansão de capacidade e novos terminais não saiam do papel.

Em entrevista, Simone Ramos, diretora de Portos e Logística da Lockton, corretora de seguros global que também atua no gerenciamento de riscos para o setor marítimo e portuário, alertou para os riscos de acidentes, paralisações e perdas financeiras com as operações ocorrendo próximas do limite de capacidade.

Para a executiva, a exposição vai além da capacidade física do terminal e envolve equipamentos, pessoas, tecnologia e a continuidade dos negócios.

“Essas empresas, além da interrupção de negócios, você tem alguns tipos de riscos tanto seguráveis quanto não seguráveis, quando você opera dentro do limite como riscos acidentais, meio ambiente, até a parte regulatória que pode em algum momento ter algum alívio, alguma exposição de não cumprimento daquilo que é obrigatório pelo poder concedente”, alertou.

Ainda segundo Simone, as empresas estão investindo em novas construções, armazenagem e equipamentos para atender ao crescimento da demanda, mas alerta que ampliar as estruturas enquanto a operação continua funcionando pode criar riscos que precisam ser mapeados.

“Dentro desse limite, ampliar essa operação com a operação funcional, você não tem nada. Então você precisa identificar quais são os principais seguros que devem ser contratados”, reforça.

Governo ainda vê capacidade disponível
Para o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, ainda há capacidade operacional disponível nos portos e ela deve ser analisada considerando o conjunto do sistema portuário, que reúne portos públicos, terminais privados e outras instalações.

Segundo Ávila, essa capacidade é finita e vai sendo consumida pelo crescimento da movimentação de cargas.

“Já esgotamos 100% da nossa capacidade operacional? Não. A gente ainda tem capacidade operacional disponível, tanto é que todos os anos a gente percebe que os nossos portos aumentam seus volumes de carga a serem movimentados”, afirmou.

Apesar da disponibilidade, o secretário defendeu antecipar investimentos para atender à demanda futura, explicando que os projetos levam tempo para se transformar em capacidade efetiva, por envolverem leilões, licenciamento ambiental e obras.

Ainda segundo Ávila, a ampliação dos terminais precisam vir acompanhado de investimentos nos acessos aquaviários, rodoviários e ferroviários.

Fonte: Sou Segura, com informações da CNN

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