Porque a previdência tem conquistado tantas mulheres quando o assunto é planejamento financeiro e aposentadoria para lidar com a longevidade
Por Sonia Marra
Porque a previdência tem conquistado tantas mulheres quando o assunto é planejamento financeiro e aposentadoria para lidar com a longevidade.
O avanço das mulheres na contratação de previdência privada nos últimos anos é resultado de uma combinação de fatores econômicos, sociais e culturais.
Dados da Brasilprev indicam que a participação feminina nas novas contratações de previdência passou de 46% em 2015 para 51% em 2025, tornando as mulheres maioria entre os novos clientes.
Nos últimos anos vem aumentando consideravelmente a participação feminina no mercado de trabalho e com geração de renda própria e isso amplia o acesso a investimentos e produtos financeiros de longo prazo, e a previdência privada entra como uma importante alternativa.
Houve um avanço significativo da educação financeira voltada ao público feminino. As mulheres exercem maior consciência sobre planejamento financeiro, principalmente porque costumam enfrentar desafios previdenciários maiores, tem salários médios menores, vivem mais, interrompem a carreira com mais frequência por maternidade e cuidados com familiares. Isso aumenta a percepção de vulnerabilidade na aposentadoria e é percebido que não poderá depender apenas do INSS no futuro.
As mulheres costumam investir de forma diferente dos homens quando o assunto é planejamento de longo prazo. O comportamento feminino de longo prazo tende a ser mais prudente, devido ao foco estratégico. Embora os homens tendam a ser mais arrojados, as mulheres geralmente alcançam melhores retornos líquidos no longo prazo devido a um menor giro de carteira (menos compra e venda) e maior disciplina.
Fatores como maior longevidade e carreira com pausas ao longo da vida impactam diretamente na necessidade de previdência entre mulheres, porque mulheres vivem, em média, mais do que homens no Brasil. Isso significa que:
- a aposentadoria pode durar mais décadas;
- há maior risco de o patrimônio acabar antes do fim da vida;
- gastos com saúde e cuidados de longo prazo tendem a crescer na velhice.
Na prática, uma pessoa que se aposenta aos 62 anos e vive até os 90 precisa financiar cerca de 28 anos de despesas pós-carreira. Esse horizonte mais longo exige maior acumulação de recursos e planejamento mais conservador de retirada de renda.
