Evento debate os novos mercados que surgem no setor de seguros
O painel “Novos Mercados de PPM e Cooperativas de Seguros”, realizado no último dia do 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, destacou-se como um dos debates mais estratégicos do evento, ao reunir lideranças que estão na linha de frente das transformações regulatórias e das novas possibilidades de atuação no setor.
Mediado por Marcelo Augusto Camacho Rocha, assessor da Escola de Negócios e Seguros (ENS) e ex-diretor da Susep, o debate trouxe uma análise aprofundada sobre a regulamentação da Proteção Patrimonial Mutualista (PPM) e das Cooperativas de Seguros, modelos que vêm ganhando relevância no Brasil após a publicação das Resoluções 491 e 492 do CNSP, além da Lei Complementar 213/25, que estabelecem bases normativas para essas estruturas.
Esse debate foi aberto pelo diretor da Susep, Carlos Queiroz, que debate ressaltou o fato de o Brasil historicamente pouco ter avançado na adoção de modelos cooperativos e mutualistas, enquanto em outras economias essas estruturas já representam mais de um quarto do mercado de seguros.
Para ele, a regulamentação inaugura uma nova fase, com potencial para ampliar o acesso da população à proteção e reduzir o chamado “gap” de cobertura existente no país.
Queiroz enfatizou ainda que os corretores de seguros terão papel decisivo nesse processo, mas terão que dominar as diferenças entre os modelos, para orientar adequadamente seus clientes.
Na sequência, o coordenador de Ramos da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Hugo de Castro Andrade, destacou que a regulamentação cria um ambiente mais seguro para o desenvolvimento das cooperativas de seguros.
Segundo ele, o momento exige qualificação, governança e compreensão profunda das particularidades do cooperativismo, já que a abertura desses novos mercados amplia tanto a oferta de proteção quanto as oportunidades para os profissionais da distribuição.
Por sua vez, o presidente do Sicoob Credseguro, João Armando de Castro Santos, reforçou a visão de que o cooperativismo pode ocupar um espaço estratégico na expansão da proteção securitária, especialmente em regiões e segmentos ainda pouco atendidos pelo mercado tradicional.
Ele enfatizou também a relevância do papel das cooperativas financeiras como agentes de inclusão e democratização do acesso a produtos de proteção.
Por sua vez, o mediador do painel salientou o papel estratégico do corretor de seguros na nova dinâmica trazida pelos mercados de PPM e cooperativas de seguros. “A abertura de novos caminhos para a proteção e a distribuição de seguros coloca o corretor diante de um mercado maior, mais competitivo e com oportunidades ainda pouco exploradas”, pontuou Marcelo Rocha.
Encerrando o painel, o presidente do Conselho Consultivo da MAG e do Fórum Mário Petrelli, Marco Antonio Gonçalves, contextualizou historicamente o surgimento de estruturas mutualistas e das associações de proteção veicular, apontando que muitas delas nasceram diante de lacunas do mercado de seguros.
Para ele, a nova regulamentação corrige distorções e oferece ao corretor de seguros um campo de atuação mais amplo, permitindo trabalhar simultaneamente com seguradoras, cooperativas e modelos de PPM.
O debate consolidou a percepção de que o corretor de seguros está no centro dessa nova era. Com a chegada dos modelos cooperativos e mutualistas, abre-se um mercado mais diverso, competitivo e alinhado às necessidades reais dos consumidores.
Nesse contexto, os participantes desse painel resssaltaram que, para aproveitar plenamente essas oportunidades, será essencial para o corretor de seguros investir em capacitação, compreender o novo marco regulatório e atuar de forma consultiva.
Fonte: Fenacor
