Resseguro

Encontro debate desafios da gestão de riscos

A segunda plenária do segundo dia do Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro, realizado nesta quarta-feira (20), teve foco no tema “Futuro da gestão de riscos em um mundo em transição”. Para falar sobre, Jamila Marino, Risk Manager da Braskem; Paula Ferreira, CEO Latin America da Aon; Rafael Amadiu, Global Head of Insurance and Risk Manager da Vale; e Santiago Arechaga, CEO Regional LatAm da Swiss Re, participaram do painel, além da moderação de Luís Otávio Artilheiro, Diretor Presidente da ABGR.

Para Rafael Amadiu, o setor de seguros e resseguros está sempre em transição. Com as novas legislações, realizadas nos últimos anos, ele ressalta que a atuação do gestor de riscos é antecipar a movimentação do mercado. “O papel do gestor de riscos e seguros é traduzir a necessidade e a realidade do mercado para o boarding, CFO”, disse durante o painel.

Jamila Marino acredita que o principal desafio está no entendimento do risco, enquanto cobertura, capacidade e precificação acabam sendo consequências desse processo de compreensão da indústria e dos movimentos do mercado. Para exemplificar, a executiva citou a cobertura non-damage business interruption (NDBI). “É uma cobertura que vejo muito debatida no Brasil, mas ainda pouco ofertada. O que escuto é que seguimos modelos de precificação baseados em dados históricos, enquanto o NDBI é prospectivo. E isso tem total relação com o que comentamos no início: os riscos estão em transição”, detalhou.

Ainda de acordo com ela, o non-damage business interruption é um modelo de cobertura que ainda não está disponível de forma ampla e não está ligado ao entendimento do cliente, mas, sim, à forma como o mercado modela esse risco.

Presente no painel, Paula Ferreira destacou que seguradoras, resseguradoras e corretores precisam investir em qualidade de dados e ferramentas capazes de antecipar tendências e riscos futuros, especialmente no que se refere às mudanças climáticas.

Com base em estudos realizados pela Aon, o Global Risk Management Survey, que ouviu cerca de 3 mil empresas em 60 países, Paula afirmou que observou-se que quase 40% das empresas perderam dinheiro por questões climáticas ou desastres naturais. No entanto, na América Latina, apenas 17% utilizam modelos para tomada de decisão.

“Então, um dos temas que vêm mudando, junto com os riscos e a dinâmica do mundo, é justamente a transformação cultural no uso de ferramentas para tomada de decisões”, detalhou. “Também falávamos da mudança do papel puramente intermediador para um processo mais amplo de gestão e transferência de riscos, em que a solução tradicional muitas vezes já não é suficiente”, completou a executiva da Aon.

Reiterando pontos que Paula mencionou durante o painel, Santiago Arechaga ressalta que novos riscos estão surgindo constantemente e, alguns que já se conheciam, estão aumentando. No entanto, para ele, a principal mudança é a interconexão de todos eles.

O CEO Regional LatAm da Swiss Re também reforçou o quanto o Brasil e a América Latina são mercados sofisticados, expostos aos mesmos riscos que outros países e com uma enorme oportunidade de evolução. “Talvez o ponto específico seja que, a lacuna de proteção na América Latina em geral, e no Brasil em particular, é provavelmente maior do que em outros países mais desenvolvidos. Mas o nível de sofisticação que vejo no mercado e a vontade de inovar, estão em pé de igualdade com outros mercados”, finalizou Arechaga.

Fonte: CQCS

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