Mercado de Seguros

Seguro rural avança e muda abordagem na subscrição

O seguro rural brasileiro começa a operar com outro nível de informação e impacto direto na subscrição. Na mais recente edição do Panorama do Seguro, o presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, Glaucio Toyama, detalhou como a solução de conformidade socioambiental da CNseg estrutura o uso de dados públicos — ambientais, fundiários e de uso da terra — no processo de análise de risco.

A ferramenta cruza essas informações e permite que elas entrem de forma mais organizada na subscrição, com efeito direto na aceitação, na renovação e na composição das carteiras. “O grande ponto é a uniformidade, a harmonização”, afirmou Toyama.

Ao consolidar dados que antes estavam dispersos, a solução reduz diferenças entre modelos de análise e cria um padrão mínimo para o mercado, trazendo mais previsibilidade para as decisões. “Com isso, a gente consegue otimizar a formação da nossa análise muito mais rápida”, disse.

Em um ambiente marcado por janelas curtas de decisão — como a virada de safra —, a velocidade de resposta tem impacto direto na conversão de negócios e na experiência do produtor. Mas o avanço mais relevante está na base que se forma a partir desse modelo.

Hoje, parte da análise ainda se apoia em médias de produtividade ou de região, que não capturam diferenças estruturais entre produtores. Com a evolução da base de dados, o mercado amplia sua capacidade de leitura. “A gente vai conseguir oferecer produtos individualizados e com critérios de risco muito melhores”, afirmou.

Na prática, isso significa tratar de forma distinta operações que hoje são consideradas equivalentes — incorporando variáveis ligadas ao manejo, ao uso de recursos naturais e à capacidade de mitigação de risco.

É uma mudança que também impacta o papel do corretor. “O corretor é uma peça fundamental nos produtos de seguros agrícolas”, destacou Toyama.

Com mais dados disponíveis, o profissional pode atuar de forma mais ativa na qualificação do risco — organizando informações do produtor, construindo histórico e contribuindo para estruturar carteiras mais consistentes junto às seguradoras.

Esse cenário exige maior especialização. Entender o ciclo produtivo, as características da propriedade e as variáveis que influenciam o risco passa a ser parte do processo comercial.

O movimento ainda está em evolução. O uso de bases públicas exige ajustes contínuos para evitar distorções e aprimorar a leitura de determinadas situações produtivas. Ainda assim, a mudança já é evidente.

Com dados mais organizados, critérios mais homogêneos e avanço na diferenciação de risco, o seguro rural começa a sair de um modelo baseado em aproximações para um sistema mais aderente à realidade produtiva — com potencial de ganho de eficiência em um mercado que ainda tem amplo espaço para crescer.

Fonte: SindSeg/SP

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