Seguro ainda é pouco compreendido pela população
Parte relevante da população brasileira ainda não compreende o papel de uma apólice de seguro e como ela pode atuar como instrumento de proteção financeira. A avaliação é apresentada na coluna de Antonio Penteado Mendonça, publicada no Estadão, que analisa os desafios históricos para a expansão do setor no país.
Segundo o colunista, existe um ciclo que dificulta a popularização do seguro no Brasil. “O povo não faz seguro porque é caro, e o seguro é caro porque o povo não faz seguro”, resume, ao apontar que a baixa adesão impede a diluição de riscos e, consequentemente, a redução de preços.
A análise também destaca que uma parcela significativa da população sequer tem condições financeiras de contratar esse tipo de proteção. De acordo com o texto, mais de 100 milhões de brasileiros vivem com renda próxima a um salário mínimo, o que limita o acesso a produtos considerados não essenciais diante de despesas básicas como moradia, alimentação e educação.
Outro ponto levantado na coluna é a falta de entendimento sobre o funcionamento do seguro. Segundo o autor, grande parte dos brasileiros não conhece o conceito nem os benefícios de uma apólice, o que amplia o distanciamento entre consumidores e seguradoras. Ao mesmo tempo, o mercado ainda não oferece, de forma ampla, produtos adaptados às camadas de menor renda.
Esse cenário cria um desalinhamento entre oferta e demanda. De um lado, potenciais segurados desconhecem as possibilidades de proteção; de outro, as seguradoras não conseguem acessar ou compreender plenamente esses públicos para desenvolver soluções adequadas.
A base do seguro, lembra o colunista, está no mutualismo — modelo em que um grupo contribui financeiramente para formar um fundo comum, utilizado para cobrir prejuízos de seus integrantes. Quanto maior o número de participantes, mais diluído o risco e menor o custo individual.
No entanto, como a adesão no Brasil ainda é limitada, esse mecanismo não atinge todo o seu potencial. Segundo a análise publicada no Estadão, enquanto esse ciclo não for rompido, o setor tende a crescer abaixo de sua capacidade, mantendo parte da sociedade sem acesso a mecanismos de proteção financeira.
Fonte: CQCS
