Mulher

Crescimento profissional ainda depende de aliança entre mulheres

A redução da desigualdade de gênero no mercado de trabalho ainda recai, em grande parte, sobre as próprias mulheres. É o que mostra um levantamento do Todas Group, com 1.534 profissionais, segundo o qual 41% das entrevistadas afirmam ter sido apoiadas principalmente por outras mulheres em sua trajetória profissional, enquanto apenas 14% dizem ter recebido apoio majoritariamente masculino.

“Os dados confirmam que a ascensão de mulheres hoje é movida por uma rede de apoio feminina. No entanto, esse suporte não substitui a necessidade de mudanças estruturais. Quando a responsabilidade pela equidade recai apenas sobre um lado, criamos um gargalo de sobrecarga que impede um avanço mais sistêmico”, diz Simone Murata, CEO da Todas Group.

Essa concentração de responsabilidade reflete diretamente no bem-estar das profissionais: 74% das mulheres afirmam que já abriram mão de cuidar de si mesmas, incluindo saúde física, hobbies e autocuidado, para crescer na carreira. Além disso, 53% dizem ter sacrificado tempo com a família, 53% relatam renúncias ligadas à saúde mental e 37% afirmam ter deixado de lado vida social e lazer.

“O crescimento profissional das mulheres não pode ser um imposto pago com a própria saúde física e mental. Quando vemos que elas são as maiores responsáveis por impulsionar outras mulheres, mas pagam um preço tão alto para avançar, fica claro que o problema não é individual, é sistêmico. Reduzir essa desigualdade não deve ser uma tarefa solitária das mulheres; precisa ser um compromisso estruturado de lideranças e empresas e colegas de trabalho”, afirma Jhenyffer Coutinho, Head de Inovação para Pessoas

O estudo também mostra a expectativa das mulheres sobre o tipo de apoio que esperam dos homens no ambiente profissional. Entre as atitudes mais citadas, 56% defendem a importância de os homens se posicionarem ativamente contra comentários machistas de outros colegas. Além disso, 48% apontam a importância de respeitar o tempo de fala das mulheres sem interrupção, e outros 48% destacam a necessidade de dar crédito e visibilidade às ideias delas em reuniões. Para 34%, mentoria e indicação de mulheres para cargos e promoções também fazem parte desse papel.

Em contraponto, o levantamento mostra as barreiras que ainda são percebidas no combate conjunto contra a desigualdade de gênero no mercado de trabalho. 51% das entrevistadas acreditam que muitos homens ainda não percebem a desigualdade de gênero no trabalho, enquanto 45% avaliam que o tema ainda é tratado como exagero.

“Se a desigualdade não é reconhecida, ela não vira prioridade. E, sem prioridade, não existe mudança estrutural. O primeiro passo para avançar é entender que equidade de gênero não é uma pauta periférica nem simbólica. Ela afeta a forma como as empresas atraem, desenvolvem, promovem e retêm talentos”, analisa Simone Murata, CEO da TODAS Group.

A agenda das mulheres dentro das organizações também vem mudando. Mais do que acesso ao mercado, a demanda agora está em crescimento estruturado. Entre as prioridades apontadas no estudo, ganham força medidas como programas de aceleração e desenvolvimento para mulheres, mais mulheres promovidas para cargos estratégicos e mais transparência nos critérios de promoção e reconhecimento.

Segundo Jhenyffer, isso exige das empresas menos subjetividade e mais intencionalidade na forma como desenham seus processos.

“Existe um papel fundamental da tecnologia e do uso inteligente de dados quando o objetivo é ir além do discurso. Ferramentas que reduzem vieses na contratação e impulsionam a diversidade no recrutamento são o primeiro passo, mas o impacto real aparece na jornada: ao apoiar trilhas de desenvolvimento para lideranças femininas, monitorar a performance de forma justa e garantir um clima organizacional psicologicamente seguro e inclusivo. Tecnologia, sozinha, não resolve o problema, mas ela é o que dá escala e consistência a uma escolha organizacional clara por mais equidade.”

O debate, no entanto, vai além da representatividade. Segundo o World Economic Forum, a equidade de gênero é, acima de tudo, uma estratégia econômica inteligente. Dados do fórum indicam que fechar a lacuna de gênero na gestão poderia injetar US$ 7 trilhões na economia global. Além disso, empresas com lideranças equilibradas apresentam um crescimento de valor até 25% superior aos seus pares.

“Todo mundo tem a ganhar com ambientes mais diversos. A equidade de gênero melhora a qualidade das decisões, fortalece a cultura, amplia repertório e torna os resultados mais sustentáveis. Quando uma empresa reduz barreiras para metade da sua força de trabalho, ela não está fazendo concessão, está destravando potencial”, conclui Jhenyffer Coutinho.

Fonte: Gupy

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