Cinco tendências da previdência privada que devem ganhar força em 2026
O mercado de previdência privada aberta desacelerou em 2025, impactado principalmente pela cobrança de 5% de IOF em aportes acima de R$ 300 mil por seguradora nos planos do tipo VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) a partir da metade do ano.
Segundo a Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que representa as empresas que operam no ramo, como resultado, de janeiro a novembro de 2025 o setor arrecadou 142 bilhões – queda de 19,6% em relação a 2024, ou seja, R$ 36,5 bilhões a menos. Enquanto os aportes diminuíram, os resgates (dinheiro sacado pelos participantes) subiram 13,9%, para R$ 140 bilhões.
Por outro lado, regras mais rígidas, expectativa de benefícios menores e um ambiente econômico que exige mais organização torna mais difícil para quem deseja uma aposentadoria confortável contar apenas com o INSS.
Nesse cenário, a previdência privada ainda segue como uma das alternativas mais seguras e eficientes para construir patrimônio ao longo do tempo, dizem os especialistas consultados pelo InfoMoney.
Para Daniel Abrahão, economista da iHUB Investimentos, o contexto atual deveria estimular uma mudança de percepção.
“O mercado de previdência evoluiu bastante. As taxas caíram, a gestão ficou mais qualificada e surgiram fundos mais eficientes. O brasileiro precisa entrar em 2026 entendendo que previdência não é luxo e nem investimento extra. É uma necessidade de longo prazo, porque o sistema público já não garante o padrão de vida que a maioria espera manter no futuro. Além disso, a partir de 2026, aportes acima de R$ 600 mil por ano passam a ser tributados com IOF de 5%”, comenta.
Com isso, o setor deve acelerar em 2026 mudanças que já vinham sendo desenhadas nos últimos anos, tanto do lado das seguradoras quanto do comportamento dos investidores.
Veja a seguir 5 tendências da previdência privada que devem ganhar força em 2026:
1. Portabilidade mais intensa e mercado mais competitivo
A portabilidade deve ganhar ainda mais relevância em 2026, em um ambiente de competição acirrada entre seguradoras.
“Cada vez mais se torna um mercado de rouba monte”, afirma Amâncio Paladino, diretor da XP Vida e Previdência. “Vai valer muito mais quem consegue atrair os clientes pelos seus atributos gerais, não só pelo portfólio de produtos, mas também pelo serviço prestado, pela assessoria e por campanhas de incentivo.”
Na mesma linha, Bernardo Castello, presidente da Bradesco Vida e Previdência, destaca que a estratégia ganhou peso após o IOF. “É uma realidade de mercado. O cliente busca o melhor serviço, uma melhor rentabilidade e um assessoramento de qualidade.”
2. Aportes recorrentes substituem grandes aplicações pontuais
O hábito de contribuir de forma constante tende a se fortalecer, em detrimento dos grandes aportes únicos – inviabilizados, no ano passado, pela cobrança de IOF de 5% em aportes que superaram os R$ 300 mil por seguradora. Já em 2026, o limite muda: o IOF de 5% será cobrado em aportes que superem os R$ 600 mil somando todas as entidades nas quais o investidor tenha plano de previdência privada.
“Se antes era percebido como um produto de contribuições únicas e individuais, agora vemos muito espaço para contribuições mensais também”, afirma Vinicius Cruz, CFO do Grupo Bradesco Seguros. Segundo ele, a previdência passa a ser percebida menos como um produto de aplicação isolada e mais como um instrumento de acumulação contínua.
Para Paladino, da XP, essa mudança de comportamento é central. “As pessoas precisam virar a chavinha e deixar de fazer um grande aporte para passar a fazer aportes mais periódicos. Constância é o principal ponto: todo mês, todo trimestre, usar os limites que a legislação permite.”
3. Planejamento financeiro mais personalizado e de longo prazo
Segundo Harenton Ribeiro Jr. diretor da consultoria Aon, existe uma tendência de transferência de riscos. “Os antigos planos de benefício definido foram migrando para os planos de contribuição definida, em que todo o risco de acumulação passa a ser do próprio participante”, aponta.
Por isso, com o avanço dos planos de contribuição definida, cresce a necessidade de um planejamento mais estruturado ao longo da vida, para evitar o que ele chama de “risco de frustração”: “a pessoa contribuiu por 30 ou 40 anos, mas quando chega a hora de se aposentar, descobre que a reserva não é suficiente para manter o padrão de vida”, diz.
Para evitar esse tipo de problema, cresce a tendência de maior personalização, com definição clara de objetivos, metas de contribuição e acompanhamento ao longo do tempo para garantir renda futura compatível com o desejado.
Para Abrahão, da iHub, começar a planejar e investir cedo na previdência é a receita para ter uma aposentadoria confortável no futuro, sendo essencial para essa construção ter paciência e consistência.
“Um investidor que começa hoje a aplicar R$ 500 por mês, com retorno médio de 10% ao ano, pode acumular aproximadamente R$ 1,13 milhão em 30 anos. Se iniciar apenas cinco anos depois, com o mesmo valor mensal e a mesma rentabilidade, o montante final cai para cerca de R$ 663 mil. A diferença supera R$ 467 mil e evidencia a força dos juros compostos no longo prazo”, analisa o economista.
4. Carteiras mais diversificadas
A diversificação deve se intensificar em 2026 como resposta à volatilidade do mercado brasileiro, aposta Ribeiro Jr., da Aon. “Ainda que a gente encontre maior volatilidade no Brasil, a tendência é diminuir essa volatilidade diversificando”, diz. “Isso inclui produtos offshore, investimentos no exterior e maior exposição a ativos como infraestrutura e também Fiagro como parte dessa diversificação.”
O movimento reflete uma busca por equilíbrio de risco e retorno no longo prazo, especialmente em planos voltados à aposentadoria.
5. Uso mais estratégico do PGBL e do VGBL
Outra tendência que ganha força em 2026 é o uso mais técnico e estratégico dos planos PGBL e VGBL, com atenção maior aos limites legais, ao perfil fiscal do investidor e à eficiência do produto no longo prazo.
“Faz sentido usar o PGBL até 12% da renda tributável anual e o VGBL até R$ 600 mil”, afirma Paladino, da XP Vida e Previdência. Segundo ele, o investidor precisará entender melhor essas regras para fazer as aplicações “dentro do que a legislação permite”, já que os produtos não se substituem. “Existe um potencial de crescimento do PGBL, mas ele não é um substituto do VGBL. Eles atendem públicos diferentes”, pontua o executivo.
Paladino salienta que existem cerca de 3 milhões de planos PGBL ativos no mercado, frente a uma base potencial muito maior de pessoas que fazem declaração no modelo completo.
Fonte: InfoMoney
