Novo seguro para carros cobre uso até então “vetado”
Roubo, furto, sinistro… Estes são os principais fatores que, geralmente, são levados em conta na hora de fazer o seguro de um carro. Mas uma nova modalidade agora entra em cena, ou melhor, nas pistas do Brasil. Quem é dono de carros esportivos e de luxo agora pode proteger o veículo em track days.
Em linhas gerais, track day é a expressão usada para eventos nos quais é permitido explorar todo o potencial que o próprio veículo oferece (geralmente esportivos potentes), mas com segurança e em ambiente adequado: autódromos. Até então, eventuais acidentes durante esse tipo de uso não eram cobertos pelas seguradoras.
E a Porto Seguro agora oferece uma cobertura adicional para diminuir o prejuízo do proprietário em casos de colisão em dias de pista. A proteção extra tem o chamado LMI (limite máximo de indenização) entre R$ 150 mil e R$ 300 mil – varia de acordo com o perfil contratado. Já a franquia é de 10% sobre o valor do LMI.
O seguro pode ser feito em duas categorias já existentes, que contemplam veículos com valores a partir de R$ 350 mil (Premium) e também acima de R$ 1,2 milhão (Private) – até a bagatela de R$ 10 milhões. Modelos blindados, por sua vez, não estão aptos.
Jaime Soares, diretor executivo de produto auto da Porto Seguro, pontua que há demanda. “Toda a cobertura foi construída com base em um processo contínuo de escuta aos nossos
clientes e, especialmente, aos corretores, que estão na linha de frente identificando novas necessidades”, explica. Sem revelar números, a companhia diz que o volume de contratação inicial é sete vezes superior a outros lançamentos realizados no mesmo período e contexto de mercado.
O seguro, claro, tem algumas regras para mitigar os riscos. A primeira é que, por questões de segurança, só é válido para track days em autódromos homologados pela FIA (Federação Internacional do Automóvel) e pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo). Ou seja, são cinco circuitos no Brasil: Interlagos (SP), Velopark (RS), Velo Città (SP), além dos autódromos internacionais Nelson Piquet (DF) e Ayrton Senna (GO).
A companhia também limita os programas de track day ou cursos de pilotagem aceitos pela apólice. São apenas sete e organizados por empresas conhecida no ramo, como a 2DRIVE, Porsche Club, Motorgrid Track & Friends, Eurobike Training Day, entre outros. A empresa de seguros, no entanto, entende que o cenário é muito mais amplo e pretender expandir a cobertura com a integração de novos locais e organizadores de forma gradual.
A proteção exclui ainda eventos competitivos, atividades fora das condições permitidas, danos a terceiros ou qualquer ocorrência que não envolva colisão – como itens de manutenção, desgaste de pneus e freios, por exemplo. Além disso, após utilizada, a cobertura não pode ser reintegrada.
Mas quanto custa?
Embora o proprietário tenha total liberdade para escolher a sua mecânica de confiança em caso de um sinistro, a Porto Seguro oferece uma rede de 220 oficinas especializadas nestes tipos de carros. Elas utilizam scanners originais e ferramentas de diagnóstico idênticas às das fábricas europeias – de onde os carros são majoritariamente -, além também de garantirem a originalidade do veículo em restauração mais complexas, pintura exclusiva da carroceria ou peças específicas.
Como toda apólice o valor tem algumas variáveis, como gênero, idade, histórico de sinistralidade, região de circulação, tecnologias de segurança embarcadas e o custo de reposição de componentes. Além disso, a aceitação da proposta está sujeita à análise de risco da própria seguradora.
Mas em uma simulação envolvendo um BMW M2, de 480 cv, avaliado em R$ 730 mil, que tem seguro na casa dos R$ 18 mil, a apólice de pista vai custar R$ 4.127 extras. O perfil usado é de um motorista morador de São Paulo capital com mais de 35 anos de idade.
Já um Porsche 718 Boxster, por exemplo, nas versões mais potentes Carrera S ou GTS, o seguro pista vai custar R$ 3.939 para uma mulher de mais de 40 anos e moradora também da cidade de São Paulo. O esportivo, avaliada acima de R$ 1,3 milhão, tem a proteção ‘convencional” perto de R$ 30 mil para o mesmo perfil.
Fonte: Uol
