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Analistas já preveem dívida bruta acima de 80% do PIB

Um número crescente da analistas considera que a trajetória esperada para a dívida bruta do setor público piorou bastante neste ano. Algumas estimativas apontam para um nível superior a 80% do Produto Interno Bruto (PIB) já no ano que vem.

A revisão se deve à redução das projeções de crescimento do PIB e, em alguns casos, do resultado primário das contas públicas, devido à eclosão da nova crise política. Em maio deste ano, o endividamento bruto ficou em 72,5% do PIB, o nível mais alto da série histórica. No fim de 2013, o indicador, um dos principais termômetros de solvência fiscal de um país, estava em 51,5% do PIB.

Como as incertezas do quadro político, a revisão para baixo do índice previsto para o crescimento do PIB e o adiamento da tramitação das reformas no Congresso Nacional, o Itaú Unibanco, por exemplo, alterou a trajetória esperada da dívida bruta para 77,2% do PIB em 2018. A previsão anterior era de 74,4%.

O chefe de economia e estratégia do Bank of America (BofA) Merrill Lynch no Brasil, David Beker, também mudou sua projeção da dívida de 78% do PIB para 82% no próximo ano. “As perspectivas mais fracas de crescimento para os próximos anos devem reduzir adicionalmente as receitas”, diz Beker em relatório, lembrando que há pouco espaço para o governo cortar gastos, dada a rigidez das despesas.

Beker alterou as projeções para o resultado primário do governo central. Para 2017, estima rombo de R$ 165 bilhões, ou 2,5% do PIB – antes, a previsão era de um déficit de R$ 139 bilhões, ou 2,1% do PIB. Para 2018, a projeção mudou de um déficit de R$ 95 bilhões, ou 1,3% do PIB, para R$ 135 bilhões, 2% do PIB. A MCM Consultores Associados elevou as projeções para a dívida bruta de 75,8% do PIB para 78,9% no próximo ano.

Nos cenários dos analistas mais pessimistas, o endividamento do país crescerá de forma ininterrupta até 2030, quando atingiria 124,5% do PIB.

Fonte: Valor

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