Paulo Rabello quer lançar ´BNDES Direto´
O novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, afirmou que quer, “em pouco tempo”, passar a vender títulos em modelo semelhante ao do Tesouro Direto. “Haveremos de introduzir, quem sabe nas próximas semanas, um ´BNDES Direto´, assim como temos um ´Tesouro Direto´. Nós temos que ter esse ´BNDES direto´ estabelecido e implantado rapidamente”, disse em evento sobre Parcerias Público-Privadas (PPP) e concessões.
Questionado por jornalistas na saída do encontro, Rabello de Castro afirmou que a operação funcionaria nos moldes do Tesouro Direto, com títulos de ativos que fazem parte da carteira do BNDES. A data de lançamento, diz ele, ainda não foi fechada. “Mas é em pouco tempo, porque essa plataforma está também em estágio avançado. Acho que vai ser muito interessante, porque tem todo um outro feixe de títulos que talvez animasse o público a ter na carteira”.
Em sua fala, Rabello colocou o desenvolvimento do mercado de capitais como uma das cinco crenças do BNDES, ao lado da “repactuação do pacto federativo” – o estabelecimento de um compromisso de governança com os gestores públicos que têm relação com o banco -, o desenvolvimento da infraestrutura, a pulverização e a interiorização do crédito.
O novo presidente evitou falar sobre a situação da JBS, empresa na qual o BNDESPar tem participação societária relevante. Quando perguntado sobre as notícias recentes de que o grupo estaria tendo dificuldade para ter acesso a crédito, disse em tom de brincadeira: “Que empresa é essa?”.
Também ontem, em Paris, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o (BNDES) “está completamente preparado agora para retomar o processo de financiamento”. Mais cedo, o ministro havia declarado a empresários franceses que o BNDES decidiu não fazer um pré-pagamento ao Tesouro, como ocorreu no ano passado, quando R$ 100 bilhões foram devolvidos ao Tesouro.
Segundo Meirelles, quando foi combinada a devolução antecipada de R$ 100 bilhões, no ano passado, pelo BNDES ao Tesouro, “isso foi resultado de uma previsão de fluxo de caixa onde se estimava não só a existência daquele recurso do momento, mas os recursos que se acumulariam mais ou menos até essa época, atingindo um pico onde está hoje, de pouco acima de R$ 150 bilhões”.
“Acho que no momento de retomada não é o momento de retirada de recursos do banco de desenvolvimento que financia investimento de longo prazo”, ressaltou Meirelles. “A presença do BNDES é fundamental e, para isso, o banco tem de ter recurso disponível para o processo de retomada”, acrescentou em uma coletiva na embaixada brasileira em Paris.
Os empregados do BNDES avaliaram como “positiva” uma primeira reunião de trabalho que mantiveram esta semana com o novo presidente da instituição, segundo relato do encontro publicado pela AFBNDES, a associação dos funcionários do banco. Os funcionários expuseram a Rabello a preocupação com a “criminalização” das atividades do BNDES pelos órgãos de controle.
Segundo a associação, Rabello mostrou-se “sensível” ao tema e se comprometeu a atuar para prestar todos os esclarecimentos necessários à sociedade. No encontro com Rabello, as associações também manifestaram preocupação com a falta de respostas do BNDES para o enfrentamento da crise econômica no país e criticaram a ausência de planejamento e o que consideram “inversão” de prioridades.
Fonte: Valor
