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Pré-sal terá apólices 5 vezes mais cara que a tradicional

O preço da apólice de seguro para a exploração dos campos de petróleo do pré-sal pode ser até 5 vezes maior do que em operações realizadas em águas rasas.
A diferença é explicada principalmente pelas dificuldades de exploração de petróleo na camada do pré-sal que se encontra a cerca de 7 mil metros de profundidade no fundo do mar. A avaliação é do diretor de petróleo e gás da Aon do Brasil, Paulo Niemeyer.
“Os desafios logísticos e tecnológicos são muito maiores, já que o sal se comporta como um material viscoso e instável, e a camada de sal pode chegar a dois quilômetros de espessura, o que gera riscos maiores para a operação e um prêmio maior, por consequência”, afirmou Paulo.
Ele acrescentou ainda que a distância entre os poços de petróleo e a costa, de cerca de 300 km, também aumentam os custos em eventuais acidentes. “A distância é um fator de risco tanto para a remoção de equipamentos danificados, ou de um profissional que venha a acidentar gravemente, quanto para a contenção de um poço em descontrole e que possa acarretar em uma explosão e vazamento, causando severos impactos ambientais”.
Apesar das dificuldades, a expectativa é de que os próximos leilões de petróleo impulsionem os resultados do segmento de petróleo e gás que movimentou aproximadamente R$ 450 milhões em prêmios em 2012. A expectativa do mercado é concluir esse ano com R$ 540 milhões em prêmios, o que representa alta de 16%. A expectativa é crescer mais nos próximos anos à medida que os poços forem leiloados.
“O crescimento dos prêmios de seguro nos últimos 5 anos foi, em média, de 15% ao ano. Portanto, diante dos novos leilões e possíveis entrantes no mercado local, a tendência é que o crescimento mantenha-se nesse patamar, chegando a um crescimento de 20% ao ano nos próximos 5 anos”, afirmou o representante da Aon.
A expectativa é que além do segmento de petróleo e gás, outros setores da indústria de seguros também sejam beneficiados, pois um projeto de exploração de poços movimenta outros setores que prestam serviços para a operadora, como fornecedores de máquinas, de tecnologia da informação, entre outros.
“A indústria de seguros tem produtos preparados não só para quem irá explorar diretamente o poço, mas também para todos os setores que de uma maneira ou de outra estão relacionados a essa exploração. Isso também gerará oportunidades importantes em outros segmentos”, afirmou Paulo.
O mercado segurador, no entanto, não tem a estrutura suficiente para bancar sozinho os riscos dessas operações. Para poder oferecer as garantias necessárias, as empresas do ramo devem buscar resseguradoras, nacionais e estrangeiras, para dividir os riscos dessas operações.
“Não existe nenhuma seguradora no Brasil com capacidade para assumir sozinha os riscos da operação nos poços do pré-sal, por isso o mercado ressegurador nacional e estrangeiro, sobretudo o inglês, terá um papel crucial para que o mercado possa oferecer seguro para as operadoras do poço”, analisou Paulo Niemeyer.
Ele lembrou ainda que o vazamento de petróleo em um poço no Golfo do México, nos Estados Unidos, em 2010 trouxe prejuízos de até R$ 2,5 bilhões para as seguradoras. A quantia só não foi maior porque a principal operadora do poço, a British Petroleum (BP) não havia contrato seguro e arcou com a maior parte do prejuízo. “Estima-se que os gastos totais ficaram entre R$ 20 e R$ 25 bilhões. Nenhuma seguradora do mundo estaria preparada para um prejuízo de tamanha proporção”, afirmou Paulo.
Cobertura
As seguradoras pretendem oferecer uma apólice só para as petrolíferas contendo diversos tipos de proteção, como para o chamado blowout (quando um fluxo descontrolado começa jorra do poço). “Esse evento é altamente improvável de acontecer, mas é desastroso para o meio ambiente, para os trabalhadores e para a própria plataforma de exploração. E ainda é preciso conter o fluxo o que é uma operação delicada e cara”, afirmou Paulo. A apólice cobra ainda danos contra terceiros e equipamentos.

Fonte: Revista Cobertura

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